sábado, 23 de julho de 2016

"Abre os olhos são 6 da tarde do dia que já passou, acordei dentro de um corpo dormente tal e qual ao que se deitou, hoje eu não sou transparente tão ausente já esqueci tudo o que lembrei, hoje eu não sou quase nada, alma apagada e tenho tanto que ainda não tem, saio de casa passo apressado mas não sei bem para onde vou, sigo a calçada mas está desfocada tanta gente que aqui já passou hoje eu não sou quase morto, controlo remoto, sou boneco à tua mercê, hoje eu não sou de joelhos bola de espelhos dá-me luz mas nunca me vê, hoje eu não sou hoje eu não estou sou um fantasma de um desejo sou só uma boca sem o teu beijo hoje eu não sou hoje eu não estou sou uma chaga sempre aberta, e o teu abraço só me aperta onde eu não sou, ponho dois pratos na mesa um retrato em que sorris para quem o tirou, faço as perguntas, dou as respostas tu já foste eu ainda aqui estou, hoje eu não sou já deitado farol apagado, quarto escuro não sei de quem, hoje eu não sou uma prece só reconhece a tua voz e a de mais ninguém, hoje eu não sou hoje eu não estou sou um fantasma de um desejo sou só uma boca sem o teu beijo hoje eu não sou hoje eu não estou ... onde estás no escuro eu não te vejo tudo me faz lembrar de ti mas não te tenho"

David Fonseca

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