sábado, 23 de julho de 2016

"Abre os olhos são 6 da tarde do dia que já passou, acordei dentro de um corpo dormente tal e qual ao que se deitou, hoje eu não sou transparente tão ausente já esqueci tudo o que lembrei, hoje eu não sou quase nada, alma apagada e tenho tanto que ainda não tem, saio de casa passo apressado mas não sei bem para onde vou, sigo a calçada mas está desfocada tanta gente que aqui já passou hoje eu não sou quase morto, controlo remoto, sou boneco à tua mercê, hoje eu não sou de joelhos bola de espelhos dá-me luz mas nunca me vê, hoje eu não sou hoje eu não estou sou um fantasma de um desejo sou só uma boca sem o teu beijo hoje eu não sou hoje eu não estou sou uma chaga sempre aberta, e o teu abraço só me aperta onde eu não sou, ponho dois pratos na mesa um retrato em que sorris para quem o tirou, faço as perguntas, dou as respostas tu já foste eu ainda aqui estou, hoje eu não sou já deitado farol apagado, quarto escuro não sei de quem, hoje eu não sou uma prece só reconhece a tua voz e a de mais ninguém, hoje eu não sou hoje eu não estou sou um fantasma de um desejo sou só uma boca sem o teu beijo hoje eu não sou hoje eu não estou ... onde estás no escuro eu não te vejo tudo me faz lembrar de ti mas não te tenho"

David Fonseca

sábado, 5 de março de 2016

Borboleta

Num
Suave
Movimento
Beijas
O ar
Com teu perfume.
Cheira
A flores
Mel
E liberdade.

Sussurras
Por entre
O chilreio
Do vento
A mensagem
De um abraço
Livre.

Vais
Solta
E feliz
Rumo
Ao caminho
Da autenticidade.

Beringel, 05.03.2015



terça-feira, 18 de agosto de 2015

Cante

Cante
Saído
Das profundezas
Das Entranhas

Desta terra


Destas gentes

Sérias
Circunspectas
Respeitadoras.
Gentes
De sol
De vento
Do astro
Do Sol quente
Da chuva morna.
Trouxe
Hoje
Luz
A um País
Mergulhado
Num gris
Entorpecedor!





Homenagem à elevação do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade, em Paris, a 27 de Novembro de 2014.





Poema da mesma data.

Outonal Ave

Sobre
O Sol
Ameno
Levanta asas
a outonal ave
Procura o
Caminho
Do vento
Rumo
Ao infinito
Dos lugares
Celestes.
Jardins da Gulbenkian, 28.11.14

Saudade

Saudade
É
Aquele
Frio
Que enche

De vazio
A gente
Que se sente.



6 Dez. 2014

Portugal

Somente
O ar
Carrega
Consigo

Tamanha


Semente

Por plantar
Em terra
Virgem.
Caem
Nela gotas
De um sangue
A borbulhar
Numa terra
Ciosa
Por se levantar.
Portugal
És
Tu.

Oriente Eterno

Para lá
Do Oriente
Eterno
Habitam
Os olhos
D' outrora
Por cá
Sitiadas
Memórias
Se quedam
Como
História.
São
Viajantes
Perdidos
Numa
Viagem
Rumo
Ao Oriente
Do eterno
Adeus.